Aguarde, carregando...

Terça-feira, 15 de Setembro 2026
Colunas/Conexão e Contexto

O Mito da Goteira: Por que o Carnaval de Nazaré Paulista não é o vilão da Saúde.

Por que investir em festa é, na verdade, atrair dinheiro para o bolso do nazareano

O Mito da Goteira: Por que o Carnaval de Nazaré Paulista não é o vilão da Saúde.
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Hoje é terça-feira de carnaval. Enquanto escrevo estas linhas, o som das últimas marchinhas ainda ecoa pelas ruas do nosso Centro Histórico, marcando o encerramento de mais um Carnaval em Nazaré Paulista. Ainda não temos o balanço oficial de quantas mil pessoas passaram por aqui nestes cinco dias, mas basta caminhar pela praça, conversar com as pessoas e sentir a energia na cidade: Nazaré está viva, cheia e vibrante.

No entanto, nos últimos dias, enquanto publicávamos a programação oficial no Portal Conecta Nazaré, um movimento previsível aconteceu nos comentários das nossas redes sociais. De um lado, a alegria dos foliões; do outro, críticas pesadas que me fizeram refletir. Li comentários do tipo:

"O hospital está cheio de goteira e a prefeitura fazendo festa" ou "Não tem dinheiro para asfaltar o acesso aos bairros rurais, mas para Carnaval e Rodeio sempre tem".

Como alguém que vive Nazaré há 13 anos e analisa o mercado com o olhar de quem veio da capital, eu entendo a frustração de quem vê um problema básico sem solução. Mas precisamos fazer a tradução correta dessa situação.

A Falsa Dicotomia

Essa ideia de que ou se investe em saúde ou se investe em cultura é uma armadilha. Lembro-me bem de uma fala do ex-prefeito Murilo Pinheiro, durante a eleição do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) em janeiro desse ano. Ele foi certeiro ao dizer que sempre enfrentou esse questionamento.

O ponto dele, e o meu também, é que uma gestão pública eficiente precisa, sim, arrumar a goteira do hospital, mas também precisa garantir o Carnaval. Uma coisa não anula a outra. Cidades que cancelam suas festas alegando "priorizar a saúde" muitas vezes acabam sem a festa e, meses depois, continuam com os mesmos problemas na saúde. Isso acontece porque o Carnaval não é um "gasto vazio", mas um dos maiores motores econômicos do estado.

A Matemática do ROI (Retorno sobre Investimento)

Para 2026, as projeções são claras: o Carnaval em São Paulo deve movimentar cerca de R$ 7,3 bilhões. E o dado mais importante para nós: 70% dos paulistas planejam viajar dentro do próprio estado. Nazaré Paulista, com suas marchinhas 100% autorais e ambiente familiar, é o destino perfeito para captar esse "turismo de proximidade".

Quando a prefeitura investe na estrutura de eventos, ela não está "dando dinheiro para banda". Ela está ativando um multiplicador econômico. Cidades como São Luiz do Paraitinga já entenderam isso: transformam a tradição em um ativo financeiro robusto. Em Nazaré, vejo o mesmo potencial com o nosso selo "Feitos em Nazaré", onde o produtor de mel, a produtora de doces e a artesã encontram no turista o seu melhor cliente.

Ouro no Interior e Família na Praça

Enquanto muitos focam apenas no custo do palco ou da banda, eu olho para o que está acontecendo em nossa zona rural e nossos morros. Nazaré Paulista está com sítios, chácaras e Airbnbs lotados. São centenas de famílias que saíram da capital e de cidades vizinhas para buscar refúgio aqui.

Durante o dia, esse turista consome os nossos produtos e frequenta nossos restaurantes. À noite, eles sobem para o centro em busca de uma opção divertida e segura. O nosso Carnaval de marchinhas é, por essência, um evento familiar. Quando o turista aluga uma chácara no Bairro do Cuiabá ou no Quatro Cantos, ele está pagando o caseiro, comprando no mercado do bairro e abastecendo no posto local.

O Legado Além da Folia

A pergunta que fica é: de onde virá o recurso para obras se matarmos a nossa "galinha dos ovos de ouro"? O turismo é a nossa indústria limpa. É o que dá visibilidade para que Nazaré conquiste recursos estaduais e atraia novos investimentos para se tornar uma estância turística.

Arrumar a goteira do hospital é obrigação básica de gestão e deve ser cobrada com rigor. Mas usar isso como argumento para extinguir a cultura é um erro estratégico.


Conclusão

Neste último dia de folia, o meu desejo é que possamos evoluir o debate. Que a cobrança por serviços públicos de qualidade continue forte, mas que saibamos reconhecer que a nossa tradição também é um ativo valioso. O Carnaval de Nazaré Paulista não tira dinheiro da saúde; ele coloca Nazaré no mapa.

E você, o que achou do Carnaval de Nazaré Paulista esse ano?

Erick Araujo

Publicado por:

Erick Araujo

Erick Araújo nasceu em São Paulo e passou a maior parte de sua vida em Guarulhos. Há 13 anos, se mudou para Nazaré Paulista, cidade natal de sua esposa, que ele adotou como seu verdadeiro lar. Lá, se tornou nazareano de coração.

Saiba Mais
WhatsApp Portal Conecta Nazaré
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível.
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR